Acordei às 6h para dirigir até o Trump Doral Golf Course. A ideia não era jogar, apenas estar com amigos e voltar a estar perto do jogo. Mesmo assim, não resisti e acabei tentando algumas tacadas de aproximação e putting.
O putting foi bom, controlado, familiar. Mas as aproximações contaram outra história. Cinco meses afastado fazem diferença. Não consegui controlar a bola como antes e, mais do que isso, havia um pensamento constante no fundo da cabeça de que eu poderia me machucar.
Essa sensação é desconfortável. Não é dor física, é algo mais profundo, uma hesitação que fica entre a intenção e a execução.
Já dá para perceber que essa parte mental vai levar tempo, provavelmente mais do que a própria recuperação física.
Ficamos por lá até o fim da manhã, depois paramos para um almoço rápido no estilo americano, um hambúrguer clássico, antes de voltar para buscar nossas esposas.
Chegando em casa, mal houve tempo para resetar. Troca rápida, um pouco de descanso e logo já estávamos saindo de novo, desta vez para o torneio.
Chegamos por volta das 17h e encontramos meu amigo Yang, que tinha acabado de chegar de Londres. Foi muito bom colocar a conversa em dia. Esses encontros sempre têm uma energia diferente, misturam passado e presente de forma natural.
A noite passou rápido, assistindo mais tênis de alto nível e simplesmente aproveitando o ambiente, de novo cercado pelo esporte.
Quando voltamos para casa, o dia já tinha cobrado seu preço. Algumas últimas bebidas, depois gelo e cama.
Um dia longo, cheio em todos os sentidos, mas com aquele lembrete silencioso de que voltar não depende só do corpo estar pronto, mas de confiar nele novamente.
Principais Aprendizados
- Ser capaz fisicamente não elimina imediatamente a hesitação mental
- O tempo longe do esporte aparece claramente na precisão e no controle
- O medo de se machucar de novo é sutil, mas presente nos movimentos técnicos
- Voltar ao esporte exige reconstruir confiança, não apenas força
- A energia social sustenta o dia mesmo quando o corpo já sente o peso