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Semana 8

Dia 53: Pegando Força Emprestada das Montanhas

“Um começo cedo e um loop longo e exigente testaram paciência e resistência. Natureza, história e filosofia deram perspectiva, mesmo com logística e cansaço puxando o limite. O joelho segurou, mas o dia claramente pediu mais recuperação do que recebeu.”

Nível de Dor 3/10
Inchaço 6/10
Foto do progresso no dia 53 da recuperação do joelho durante o passeio em Hakone

Dia de Hakone. Acordamos cedo. Cedo de verdade. Normalmente as crianças aparecem por volta de nove ou dez, mas hoje tinha trem às 8:30. Foi pesado para todo mundo. Caos de manhã, sem tempo para café da manhã, sem tempo para fisio. Eu fiquei meio culpado por pular, mas fui repetindo para mim mesmo que logo eu volto para casa. Pelo menos eu tomei meu shake de proteína antes de sair.

Finalmente chegamos em Hakone. Café, um café da manhã atrasado e então direto para o loop. Trem cênico subindo as montanhas, gôndola, bondinho, barco atravessando o lago, almoço e depois ônibus de volta. O lugar é lindo demais. Monte Fuji ao fundo, Lago Ashi calmo e enorme, tudo com uma sensação de equilíbrio. O Japão sabe enquadrar beleza como ninguém.

Passando pelo vale de enxofre, eu aprendi que samurais vinham aqui para se recuperar depois de batalhas. Eles acreditavam que as águas vulcânicas ajudavam a curar mais rápido. Eu não consegui não sorrir. Vai ajudar meu joelho só por eu estar aqui? Provavelmente não. Mas a ideia em si foi reconfortante.

Eu também aprendi mais sobre o xintoísmo e como os japoneses encaram religião. É menos sobre regras e mais sobre natureza, respeito aos ancestrais, equilíbrio e gratidão. Essa mentalidade encaixa muito, especialmente durante recuperação. Aceitar onde você está, respeitar o processo, manter equilíbrio.

Depois do almoço, eu e minha esposa decidimos ir até o famoso portal torii na beira do lago para tirar foto. O caminho estava fechado, então nada de foto. Esse desvio nos atrasou para o ônibus, e a gente perdeu o trem de volta para Tóquio por dois minutos. Dois minutos. O que significou uma hora de espera.

Essa hora foi um presente. Eu fui ao banheiro, troquei para um short e pedi gelo no café. Alívio. Alívio de verdade. O joelho acalmou, o inchaço baixou, e meu humor foi junto.

Aí voltamos para Tóquio. Direto da natureza para o caos. Compras de eletrônicos, depois jantar em Shinjuku. O restaurante tinha mesa baixa, o que não foi gentil com meu joelho. No fim, eu estava exausto e irritado, contando os minutos para chegar em casa, colocar gelo e deitar.

Finalmente voltamos. Dia longo. Dia difícil. Mas também um dia bom. Cheio de beleza, reflexão e uma esperança silenciosa de que recuperação não acontece só nos exercícios, mas também em momentos assim.

Principais Aprendizados