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Semana 1

Dia 0: Cirurgia

"O dia da cirurgia foi intenso, procedural e desorientador. A operação em si foi bem, mas as horas seguintes trouxeram dormência, confusão, complicações inesperadas e perda total de controle. Sair do hospital depois da meia-noite, exausto e frágil, marcou o verdadeiro começo da recuperação."

Nível de Dor 1/10
Inchaço 10/10
Foto do progresso no dia 0 da recuperação do joelho

Acordei cedo, às 5:40. Tomei banho com lenços de álcool, raspei a perna, vesti a roupa do hospital e a touca, e esperei. De repente, tudo ficou muito procedural, muito real. Encontrei o anestesista, respondi mais perguntas, ouvi explicações claras sobre o que ia acontecer. A voz calma dele era reconfortante - pelo menos na teoria. Meu corpo ainda estava tenso.

Às 8:00 vieram me buscar. Nervoso. A sala de cirurgia era exatamente como você imagina. Luzes fortes. Máquinas. Gente se movendo com propósito. Ajustaram o soro e colocaram mais medicação. Todo mundo parecia tranquilo. Menos eu. Uma enfermeira segurou minha mão. Isso ajudou. Muito. Depois disso, apaguei.

Acordei rapidinho na sala de observação e apaguei de novo. Mais tarde, acordei no leito do hospital completamente exausto. Sem sentir as pernas. Pesadas, dormentes, desconectadas. Me disseram que a cirurgia tinha corrido bem. Peguei o celular por volta de 12:40 e liguei para a minha esposa, mas eu mal conseguia conversar. Pensamento lento, palavras difíceis de achar. Tudo o que eu queria era iogurte com mirtilos. Ela veio.

Estava passando a final do ATP na TV. Ver tênis foi surreal - como assistir uma versão diferente da minha vida. Mais remédio. Almoço. E eu ali, deitado, enquanto o dia passava devagar. Eu ainda não conseguia andar. Não sentia as pernas. E não sentia as bolas também, o que talvez tenha sido a sensação mais estranha de todas. Aos poucos, comecei a mexer os dedos do pé. A perna esquerda “acordou” primeiro. A direita demorou mais.

O plano era ir para casa às 20:00. Sério?

Às 18:00 me pediram para fazer xixi. Eu não conseguia. A vontade estava forte, mas nada acontecia. Sentado. Em pé. Fraco. Tonto. Abrindo a torneira da pia. Assistindo vídeo de cachoeira no YouTube. Toda vez que eu chegava perto, alguém perguntava: “Terminou?” Volta para o zero. Depois de novo, quase lá. Minha esposa ligou perguntando se eu queria alguma coisa do mercado. Zero de novo.

O estresse começou a subir. Eles explicaram que a anestesia pode confundir o sistema nervoso e que, às vezes, o “sinal” entre cérebro e bexiga simplesmente some. No fim, colocaram uma sonda. Eu tentei segurar, mas era melhor não esperar demais. Olhando para trás, eu devia ter feito isso enquanto a anestesia ainda estava mais forte. Drenaram 850 ml. Foi como um carro fazendo troca de óleo - só que eu estava vendo TV enquanto uma enfermeira segurava meu pau. Alívio instantâneo.

Já era 21:00. Agora eu só precisava conseguir fazer xixi sozinho para receber alta.

A gente finalmente saiu à 1:00 da manhã. Cansado. Desorientado. Com dor. A corrida de táxi até em casa foi surreal. Eu me senti completamente incapaz. Tudo doía. Tudo parecia frágil. Em casa, eu não conseguia achar uma posição confortável. Meu corpo parecia estranho, pesado, pouco cooperativo.

Em algum momento, eu dormi.

A recuperação tinha oficialmente começado.

Principais Aprendizados