Acordei às 6:40 - gentilmente e nem tão gentilmente - pelas crianças.
Elas imediatamente se juntaram ao redor da cama. Olhando para a minha perna. Tocando. Fazendo perguntas. Curiosas, preocupadas, fascinadas. Eu ainda estava exausto, mas não tinha chance de voltar a dormir.
A perna está inchada. Pesada. Irritada.
Hoje foi sobre começar a rotina de medicamentos. Minha lista de remédios, de repente, parece um trabalho em tempo integral:
- Toragesic — a cada 12 horas por 2 dias
- Tramal — a cada 6 horas por 2 dias
- Xarelto 10 mg — 1 vez ao dia por 15 dias
- Zinnat 500 mg — a cada 8 horas por 7 dias
- Novalgina — a cada 6 horas por 7 dias
E, claro, eu fiz o que todo mundo faz. Comecei a pesquisar. O que outras pessoas tomam. O que combina com o quê. O que nunca deve ser misturado. ChatGPT e Google pareciam saber de tudo.
Fisicamente, tudo parece estranho. Eu não consigo realmente mover a perna. Não existe força nenhuma no quadríceps. Ele dói como se eu tivesse feito o treino de perna mais brutal da minha vida. Aquela dor profunda, queimando, de quando você passa do limite. O que não faz sentido - eu não treino pernas há mais de uma semana.
Mesmo assim, a dor está lá.
Eu aprendi a usar as muletas do jeito certo. Não só andar, mas os detalhes pequenos. Como levantar a perna. Como colocar em cima de travesseiros. Como elevar sem ativar músculos que simplesmente ainda não respondem.
Voltei a trabalhar online. Surpreendentemente, fez bem. Um pouco surreal, sim. Trabalhar medicado é uma experiência à parte. O pensamento fica mais lento, mas o foco vem em ondas.
Estou bebendo muita água. Fazendo xixi o tempo todo. A dor continua intensa mesmo com remédio. Eu canso muito rápido. Durmo em blocos curtos, sempre tentando encontrar uma posição que funcione. O que parece aceitável por uma hora vira insuportável na próxima.
Eu li bastante hoje. Prazos de recuperação. Restrições para viajar. O que vem depois. O que é normal e o que não é.
Mentalmente, é pesado.
Triste. Irritado. Impaciente. Vulnerável.
Cada ligação com um amigo ou familiar ajuda. Mesmo conversas curtas levantam o humor. Elas te tiram da sua própria cabeça por um instante. Manter as pessoas certas por perto importa mais do que você imagina.
Elas te ajudam a esquecer - mesmo que seja só por um pouco.
Principais Aprendizados
- Inchaço e dor dominam a fase inicial acima de qualquer coisa
- “Desligamento” muscular pode assustar, mas faz parte do processo
- Seguir o plano de medicamentos prescrito importa mais do que pesquisar na internet
- Aprender movimentos básicos e posicionamento vira tarefa de dia inteiro
- A fadiga chega rápido e de forma imprevisível
- O sono vem em pedaços e exige ajustes constantes
- Voltar a um trabalho leve pode ajudar mentalmente, mesmo parecendo surreal
- O peso emocional é tão real quanto a dor física
- Manter contato com amigos e família é essencial
- Vulnerabilidade é inevitável - aceitar isso também é parte da recuperação