O dia começou cedo com academia focada em pernas e costas, seguida de uma massagem rápida de quinze minutos. Treinar cedo sempre dá a sensação de que o dia já começa com algo conquistado, mesmo que todo o resto ainda precise caber no ritmo habitual. Como hoje trabalhei de casa, a transição para o trabalho foi mais leve, sem a interrupção do trânsito ou a pressão de cruzar a cidade.
Na hora do almoço encontrei um amigo no clube. A conversa naturalmente caiu em um território já familiar: lesões, fisioterapia, recuperação e o processo longo de voltar ao esporte e à vida normal. Essas conversas parecem acontecer com frequência agora, talvez porque depois que você passa por algo físico assim começa a perceber quantas pessoas carregam suas próprias versões de recuperação.
Depois do almoço passamos em uma loja de tênis para visitar outro amigo, e isso virou um daqueles momentos inesperadamente bons - ouvindo histórias de tênis, colocando a conversa em dia e ficando novamente naquele ambiente.
O que percebi é que falar de tênis agora está mais fácil. No começo carregava frustração, porque parecia algo distante demais. Agora é diferente. Sinto que estou mais perto de voltar, e isso muda tudo. A distância deixou de ser abstrata. Parece mensurável, e isso torna a vontade de voltar ainda mais forte.
De volta para casa, mais trabalho, tentando adiantar o máximo possível antes de as crianças chegarem. Depois a casa mudou completamente, como sempre acontece: caos, gritos, risadas, pequenas discussões, guloseimas, abraços, movimento por todos os lados. Às vezes realmente me pergunto se toda casa é assim intensa ou se a nossa tem um nível especial de barulho e vida.
No fim do dia levei meu filho do meio ao médico. Está tudo bem, ele está crescendo rápido, o que de alguma forma sempre me surpreende, mesmo vendo isso todos os dias. Também me fez pensar como muitas vezes o filho do meio acaba recebendo menos foco em silêncio, com tanta energia naturalmente indo para o primeiro, por causa das preocupações de primeira viagem, e para o mais novo, pela atenção constante. Passar esse tempo sozinho com ele pareceu importante.
Essas consultas simples também lembram o quanto o tempo passa rápido e como as crianças mudam depressa enquanto a gente está ocupado vivendo dentro da rotina.
De volta para casa, um ótimo jantar e depois mais tênis na TV. Fisicamente, porém, a perna começou a ficar estranha, trazendo de volta uma sensação que eu já tinha sentido algumas semanas atrás: dor na parte externa irradiando até o quadril, com sensação de mobilidade reduzida. Nada dramático, mas suficiente para notar e lembrar que a recuperação ainda muda de um dia para o outro.
Quando as crianças finalmente dormiram, terminei o dia com PowerDot, gelo e o jogo entre Jannik Sinner e João Fonseca. Impressiona ver quanta potência um garoto de dezoito anos consegue gerar. O jogo foi equilibrado, e mesmo na derrota fica claro que existe um futuro real ali para o jovem brasileiro.
Principais Aprendizados
- Falar de tênis muda quando a volta começa a parecer real.
- A recuperação ainda oscila mesmo em semanas mais fortes.
- Tempo individual com cada filho importa mais do que parece.
- Compromissos comuns muitas vezes revelam o quanto a vida está acelerada.
- O corpo pode parecer forte pela manhã e incerto no fim do dia.