Chegamos ao aeroporto com quatro malas. Uma a mais do que quando começamos. Basicamente roupas da minha esposa e brinquedos das crianças. No aeroporto, o serviço de cadeira de rodas começou na hora. Excelente. Sem filas, sem estresse, passando direto pela confusão geral. Paramos no lounge e, vinte e cinco minutos antes do embarque, alguém da equipe me buscou e me levou direto pelos acessos. Sem fila, direto para o portão, na hora certa. Primeira fileira de novo. Livro, almoço e, quando vi, já estávamos no Japão.
Depois de pousar, eu precisei esperar até o avião esvaziar para me chamarem. Eu e uma senhora chinesa bem pequena. Chegou a primeira cadeira de rodas. A grande que eu tinha usado antes. Espaçosa, confortável, perfeita para a perna. Eu fiquei aliviado. Aí ela pegou. Justo.
O que veio depois foi outra história. Uma cadeira de rodas de madeira. A menor que eu já vi na vida. Parecia um brinquedo. Eu achei que estavam brincando comigo. Perguntei onde estava a grande. Disseram que eu podia esperar mais, ou pegar aquela agora. Melhor isso do que nada. Eu devo ter ficado ridículo. Um cara grande encolhido numa cadeira minúscula. Surpreendentemente, ela rolava melhor do que eu esperava.
Imigração, malas, táxi e, finalmente, o apartamento. Me sentindo bem, decidimos dar uma volta rápida pelo bairro e almoçar por perto. Foi aí que o joelho começou a falar. Alto. O inchaço veio rápido. Pesado, irritado, apertado. Eu achei que um voo de duas horas não ia afetar tanto. Eu estava muito errado.
Quando voltamos, o joelho parecia um balão. Coloquei a faixa no joelho e dava para ver claramente o inchaço empurrando. A forma ficou deformada. Dolorido e meio assustador. Gelo e elevação não podiam demorar mais. Depois de um cochilo curto, as coisas acalmaram de novo.
À noite, fomos para Shinjuku. Luzes, a cabeça do Godzilla com as crianças, multidão, câmbio e jantar em Omoide Yokocho. Frio, cheio, muita caminhada. De algum jeito, eu aguentei razoavelmente bem. Um pouco de compras, Uniqlo, eletrônicos e voltamos para casa.
Gelo e elevação de novo. O joelho acalmou. Mas a mensagem ficou muito clara. Eu ainda estou longe de estar normal. Viajar ainda é um desafio, e eu preciso ser disciplinado. Gelo logo depois do voo não é opcional. Movimento precisa ser planejado, não improvisado.
Hoje foi empolgante. E educativo.
Principais Aprendizados
- Assistência de cadeira de rodas reduz muito o estresse de viagem
- Até voos curtos podem disparar um inchaço forte
- Gelo e elevação precisam acontecer logo após o pouso
- O inchaço ainda é o principal sinal de alerta do joelho
- O entusiasmo esconde sinais de sobrecarga no começo
- Viagem exige mais disciplina de recuperação do que a rotina normal