Ainda viajando. Embarquei no avião para São Paulo já completamente esgotado. Dessa vez, nada de álcool. Nem filme. Passei a maior parte do voo lendo um livro sobre o Anthony Kiedis. Uma história me marcou. Quando era criança, ele pulou do segundo andar, errou a piscina e quase quebrou as costas. Ele mal fala da recuperação, o que provavelmente significa que hoje nem lembra disso com clareza. Eu espero que um dia seja assim para mim também. Algo que aconteceu, me moldou, e depois foi sumindo silenciosamente no fundo da memória. Agora, porém, isso ainda é muito real.
Mantive a disciplina durante o voo. Bombinha de tornozelo o tempo todo e uma quantidade quase ridícula de água. Dormi um pouco, mas nem perto do suficiente. Acordei umas oito vezes para ir ao banheiro. Um recorde pessoal, eu acho.
Finalmente chegamos em casa. Gelo, descanso, desfazer mala. Tirei a meia de compressão e fui conferir o joelho. Estava inchado, mas sinceramente, parecia melhor do que eu esperava depois de uma viagem tão longa. Isso contou como uma pequena vitória.
Fiz alguns movimentos bem leves, mas decidi pular a fisioterapia hoje. Esse não era um dia para forçar. Era dia de descansar. Só isso.
Mais tarde fui ao clube com os meninos, ainda usando uma muleta. Conversei com alguns amigos que passaram pela mesma cirurgia. Ouvir histórias conhecidas, frustrações conhecidas, prazos conhecidos ajudou mais do que qualquer protocolo. Experiência compartilhada tem um tipo próprio de alívio.
Às 20h o jet lag me derrubou. Totalmente acabado. Voltei para casa e desliguei.
A viagem finalmente acabou. A recuperação, não. Mas agora ela continua em casa, no meu território.
Principais Aprendizados
- Voos longos são administráveis com disciplina e preparo
- Dá para controlar o inchaço mesmo depois de dias extremos de viagem
- Pular a fisio de vez em quando faz parte de escutar o corpo
- Histórias de recuperação compartilhadas reduzem o peso mental
- A fadiga se acumula em silêncio e exige respeito
- Estar em casa muda o tom da recuperação na hora