Voltar ao Diário
Semana 9

Dia 59: De Volta aos Dois Pés

“Um dia de marco, cheio de nervosismo, alívio e a confirmação de que todo o esforço está valendo a pena. As muletas ficaram oficialmente para trás, o progresso superou as expectativas e a próxima fase da recuperação ficou clara. A dor apareceu - mas dessa vez, com propósito.”

Nível de Dor 4/10
Inchaço 4/10
Foto do progresso no dia 59 da recuperação do joelho, marcando o fim das muletas

Acordei às 4h da manhã com minha filha pulando na cama. Nenhum de nós conseguiu voltar a dormir, então o café da manhã veio cedo. Resolvi ir ao escritório mais cedo do que o normal. Precisava sair ao meio-dia para ver o Dr. Sergio, e dava para sentir o nervosismo crescendo. Consulta importante. Perguntas grandes. E, para completar, a conta da cirurgia ainda era uma incógnita. Zero clima de tranquilidade.

O Dr. Sergio, no entanto, mudou completamente o tom da consulta. Ele ficou genuinamente feliz com o meu progresso. Me viu usando uma muleta, pediu para largar e mandou eu andar. Depois foi direto: pode parar com as muletas. Acabou.

Aquilo bateu forte - no melhor sentido possível. Voltar a andar com os dois pés foi incrível e estranho ao mesmo tempo. Na rua, sem apoio, ficou claro o quanto ainda exige atenção consciente. Cada passo conta. Nada é automático ainda.

O médico comentou algo que fez diferença. Ele esperava um cenário bem pior. Pessoas que viajam tanto por tanto tempo geralmente voltam com retrocessos sérios. Não foi o meu caso. Aquilo soou como validação de toda a disciplina, gelo improvisado, fisio em quarto de hotel e saídas antecipadas.

Ele deixou a próxima fase bem clara:

Saí da consulta genuinamente feliz.

Mais tarde encontrei o Cleyber. Ele também ficou claramente satisfeito em me ver sem muletas. Trabalhamos liberação muscular e treino de marcha. É surpreendentemente difícil depois de dois meses. O corpo precisa reaprender padrões.

Depois veio ativação pesada de quadríceps com NMES em intensidade máxima. A dor apareceu na parte superior esquerda do joelho. Tentamos uma joelheira, mas não ajudou muito. Segui em frente. Em seguida, fomos forte na flexão. O médico quer algo em torno de dez graus por semana. Comecei com 100 graus e terminei a sessão em 110. Progresso real. Extremamente doloroso também. O Cleyber lembrou que essa costuma ser a fase mais dolorosa da recuperação.

Cheguei em casa, fiz gelo, descansei e o jet lag finalmente me pegou. Dormi no sofá.

Hoje doeu. Mas hoje também provou algo importante. Eu não estou mais apenas me recuperando. Estou me reconstruindo.

Principais Aprendizados