Acordei cedo cheio de energia e realmente empolgado. Depois do café da manhã com as crianças, subi na bicicleta e fui pedalando até o clube. Foram vinte e cinco minutos. Um aquecimento perfeito e, sinceramente, a maneira ideal de chegar até lá.
Enquanto caminhava em direção à quadra, já me sentia feliz, mas o momento em que entrei nela foi emocionante. Fazia muito tempo.
Abrir a bolsa e tirar os equipamentos teve um ar quase cerimonial. Colocar as munhequeiras, calçar os tênis, tirar a raquete da capa. Coisas tão pequenas, mas, depois de seis meses longe, trouxeram uma onda de felicidade que eu não esperava sentir.
Meu amigo Gustavo também estava lá, enfrentando a própria batalha com uma epicondilite. É curioso como praticamente todo mundo que vive o esporte acaba carregando alguma história de dor e recuperação.
Começamos devagar, batendo bolas curtas e, aos poucos, avançando para exercícios mais profundos. Desde os primeiros minutos senti como se estivesse andando sobre ovos. Ainda não confio totalmente no meu corpo. Cada movimento é calculado. Não quero exagerar nem deixar a emoção me fazer ir além do que devo.
Mas, mesmo assim, foi incrível simplesmente voltar a bater bola.
Depois de tudo o que esses últimos seis meses trouxeram, toda a fisioterapia, frustrações, medo, rotina, pequenos retrocessos e pequenas vitórias, estar novamente em uma quadra teve um significado enorme. E o mais engraçado é que isso é apenas o começo.
Minha mira estava péssima. Meu jogo de pernas praticamente não existia. O tempo de bola estava errado e os movimentos eram desajeitados.
Mas nada disso importava.
Porque, pela primeira vez em muito tempo, eu estava jogando tênis com um sorriso enorme no rosto.
Depois do treino, pedalei de volta para casa, tomei um banho e só então senti o cansaço de verdade. Cansado, mas de uma forma boa. Percebi o quanto também sentia falta dessa sensação.
Meu almoço de negócios acabou sendo cancelado, o que no fim foi uma bênção, porque me deu tempo para descansar, comer de forma mais saudável em casa e terminar alguns trabalhos com calma.
Trabalhei até por volta das 16h30, quando minha filha voltou da escola. Os dois meninos tinham ido a uma festa de aniversário, então aproveitei um tempo de qualidade sozinho com a minha princesa. Fizemos alongamentos juntos, brincamos um pouco, assistimos televisão e simplesmente relaxamos.
Mais tarde, os meninos voltaram e tentamos dormir cedo.
Tentamos.
Amanhã será outro sábado cheio de esportes e festas de aniversário.
Mas hoje vou dormir com uma sensação muito importante.
Estou de volta à quadra.
Principais Aprendizados
- Voltar ao esporte é um processo profundamente emocional, não apenas físico
- Pequenos rituais podem ganhar um significado enorme depois de uma longa ausência
- A confiança no corpo retorna mais lentamente do que o movimento em si
- Alegria e desempenho são coisas completamente diferentes no começo
- Hoje não foi sobre jogar bem, foi sobre voltar