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Semana 4

Dia 23: Um Lembrete de Que a Recuperação Não É Linear

"Um dia difícil, que testou paciência e perspectiva. Mais rigidez, extensão limitada e um peso mental grande fizeram o progresso parecer distante. Ao mesmo tempo, o dia trouxe lembretes importantes sobre humildade, gratidão e o valor real de uma fisioterapia bem feita."

Nível de Dor 3/10
Inchaço 5/10
Foto do progresso no dia 23 da recuperação do joelho

Acordei com o joelho ainda mais rígido do que ontem. O suficiente para eu parar e fazer a pergunta óbvia: isso é normal? Pelo visto, sim. Recuperação não é linear. Tem dias em que parece que você finalmente virou uma esquina, e depois vêm dias como este, em que até esticar a perna vira trabalho.

Hoje foi um desses dias de realidade. Eu mal conseguia estender a perna direito, e mentalmente isso bateu mais forte do que eu esperava. Fui ao escritório, o que, sinceramente, foi exaustivo. Estar lá te faz sentir limitado de um jeito bem visível. Você anda mais devagar, senta diferente, e as pessoas te olham diferente. Não é maldade, mas é perceptível. Dá um pequeno gosto de como seria viver com limitações permanentes.

Isso ficou comigo o dia inteiro. A gente dá muita coisa como garantida. Caminhar sem pensar. Correr. Pular. Jogar tênis. Kitesurf. Nadar. Só quando essas coisas são tiradas é que você entende de verdade o que isso significa para quem não pode fazer nada disso nunca. Esse processo está colocando humildade no sistema, eu querendo ou não.

Uma coisa pela qual eu senti muita gratidão hoje foi a minha esposa. Ela entrou no modo suporte sem reclamar, cuidando de mim, das crianças e da casa. Calma, consistente, presente. Quando tudo fica mais difícil, esse tipo de apoio vira impossível de ignorar.

Também tive um retorno com o clínico. Ele revisou meus exames de sangue, que estavam um pouco fora, mas nada sério. Provavelmente um vírus curto, talvez amplificado por uma imunidade temporariamente mais baixa depois de antibióticos. Foi tranquilizador e tirou mais um peso da cabeça.

Mais tarde, eu fui no meu antigo fisioterapeuta, o Taka. Japonês, bem voltado para tênis, e bem diferente da Bruna. A abordagem dele foi muito mais “na mão”, mais direta e mais forte. Ele trabalhou agressivamente na liberação muscular, especialmente quadríceps, posterior e panturrilha, que estavam absurdamente tensos. Minha perna parecia madeira. Ele também mexeu nas cicatrizes da cirurgia. Eu achei que já tinha dessensibilizado aquilo, mas ele provou o contrário. A dor subiu forte. Não foi agradável, mas a diferença depois foi inegável.

Ele explicou como é crítico manter as cicatrizes móveis, sem deixar os tecidos “grudarem”. Essa conversa deixou uma coisa muito clara. Um bom fisioterapeuta vale cada centavo. Esse não é o lugar para economizar.

Voltei para casa, descansei um pouco e terminei o dia com uma sessão de Game Ready. Agora é esperar. Vamos ver como o corpo responde amanhã.

Principais Aprendizados