Acordei às 5:00, voltei a dormir e acordei de novo por volta das 7:00. Meu relógio diz que eu dormi bem. Eu não sinto isso. Acordei cansado, pesado, como se não tivesse recuperado de verdade.
Hoje eu decidi parar de tomar Toragesic. O médico prescreveu por sete dias, mas a bula deixa bem claro para não passar de cinco, mesmo com orientação médica. Eu confio no meu médico, mas também confio na minha capacidade de escutar o meu corpo. A dor está administrável. Quase nada quando estou sentado com a perna elevada. Incomoda, mas dá para aguentar quando eu ando de muletas.
O joelho ainda parece “solto”.
Tomei banho e troquei os curativos. A ferida está boa. Limpa, seca, sem secreção. Cicatrizando bem por fora. Tomara que por dentro esteja acontecendo o mesmo.
Hoje também foi minha primeira sessão de fisioterapia.
Eu tentei encontrar alguém que pudesse atender na minha academia, mas não deu certo. Então liguei para a fisio que me ajudou a recuperar do “cotovelo de golfista”. Eles focam em tenistas, mas também trabalham com reabilitação pós-cirurgia.
A primeira sessão foi pesada.
Ela percebeu na hora que minha extensão está limitada. Isso virou prioridade. Fizemos alongamentos em que ela empurrava manualmente minha perna para ganhar extensão. Desconfortável, mas efetivo. Depois, ela usou um pouco de laser para apoiar a cicatrização interna e, em seguida, eletroestimulação para ativar o quadríceps.
A perna está muito fraca, mas foi bom finalmente fazer algo com propósito.
Depois disso, ela massageou quadríceps e posteriores. Doeu, principalmente perto da área do enxerto, mas é necessário. Ela me passou três exercícios para fazer em casa e marcamos a próxima sessão para segunda-feira. Vou começar a encaixar isso na rotina diária.
Trabalhei hoje, ainda de casa, mas me senti sobrecarregado. Tarefa demais, estrutura de menos. Cirurgia, dor, remédio e fisio me deixaram mentalmente espalhado. Isso está afetando meu foco mais do que eu imaginava.
Eu preciso reorganizar meus dias.
Emocionalmente, estou percebendo oscilações de humor. Em um momento eu me sinto animado com o progresso. No outro, frustrado por tudo que eu ainda não consigo fazer.
Recuperação não é só física.
É aprender a viver dentro da limitação sem deixar que ela tome conta.
Principais Aprendizados
- Reduzir a medicação traz mais clareza mental, mas exige atenção e monitoramento
- A extensão rapidamente vira a prioridade física número 1
- As primeiras sessões de fisioterapia são desconfortáveis, mas “aterram” a mente
- Trabalho manual e eletroestimulação mostram o quanto de força foi perdido
- Movimento com propósito aumenta a confiança, mesmo quando dói
- A recuperação bagunça a rotina mais do que eu esperava
- Sobrecarga mental pode impactar o trabalho tanto quanto a dor física
- Oscilações de humor fazem parte da adaptação à limitação
- Estrutura vira tão importante quanto os exercícios
- Recuperar é aprender a viver dentro dos limites sem virar refém deles